Coincidências, coincidências!
Marcelo manda um link sobre o Guardian e o Bloco de Notas da Pictura Pixel - Electronic PhotoMagazine manda um link com materia de Geoff Dyer para o mesmo Guardian sobre uma das mais famosas imagens de guerra do sec.XX: a do miliciano espanhol Federico Borrel Garcia caindo ao ser alvejado em combate. Há rumores faz desde há muito sobre a autenticidade dessa imagem.
Geoff Dyer é o autor de O Instante Contínuo - Uma História Particular da Fotografia, livro de leitura deliciosa de onde tenho tirado trechos para compartilhar com os alunos.
Para quem lê inglês: www.guardian.co.uk/artanddesign/2008/oct/18/war-photography
E o link para o Bloco de Notas do Pictura Pixel: www.picturapixel.com/blog.
Cadastrem-se e recebam o newsletter semanal do Bloco!
sexta-feira, 24 de outubro de 2008
De quando em Nunca, 100 anos
http://www.guardian.co.uk/media/interactive/2008/oct/21/theguardian-pressandpublishing
Link enviado pelo Marcelo Fubah, do Básico de segunda-feira, sobre os 100 anos de publicação de fotografias no jornal inglês The Guardian. Em 1908 o jornal contratou pela primeira vez um fotógrafo para fazer parte da equipe fixa da redação.
O primeiro anúncio oficial da invenção da fotografia foi feito em Paris, em 1839. Três semanas depois, um anúncio semelhante foi feito em Londres, onde um outro sistema fotográfico havia sido inventado. Levaria cerca de 40 anos para que as primeiras fotografias fossem publicadas em jornais. Até então elas serviam de base para que ilustradores as copiassem a traço, único método possível de reprodução de imagens até o aparecimento do porcesso gráfico de retícula para impressão de meios-tons.
De 1908 atéh a década de 60 a mídia impressa elevou a fotografia pouco a pouco ao cargo de contadora e mostradora de todas as histórias que chegassem até as mãos dos leitores. Dezenas de centenas de revistas de reportagens visuais foram criadas e milhares de tais reportagens foram feitas por um número incalculável de fotógrafos, até o aparecimento da televisão, do telejornal, e dos satélites de comunicação. As revistas de reportagens visuais pereceram quase todas, mas a fotografia segue sendo uma mídia forte no jornalismo.
Nas páginas do Guardian, segue forte faz 100 anos!
Link enviado pelo Marcelo Fubah, do Básico de segunda-feira, sobre os 100 anos de publicação de fotografias no jornal inglês The Guardian. Em 1908 o jornal contratou pela primeira vez um fotógrafo para fazer parte da equipe fixa da redação.
O primeiro anúncio oficial da invenção da fotografia foi feito em Paris, em 1839. Três semanas depois, um anúncio semelhante foi feito em Londres, onde um outro sistema fotográfico havia sido inventado. Levaria cerca de 40 anos para que as primeiras fotografias fossem publicadas em jornais. Até então elas serviam de base para que ilustradores as copiassem a traço, único método possível de reprodução de imagens até o aparecimento do porcesso gráfico de retícula para impressão de meios-tons.
De 1908 atéh a década de 60 a mídia impressa elevou a fotografia pouco a pouco ao cargo de contadora e mostradora de todas as histórias que chegassem até as mãos dos leitores. Dezenas de centenas de revistas de reportagens visuais foram criadas e milhares de tais reportagens foram feitas por um número incalculável de fotógrafos, até o aparecimento da televisão, do telejornal, e dos satélites de comunicação. As revistas de reportagens visuais pereceram quase todas, mas a fotografia segue sendo uma mídia forte no jornalismo.
Nas páginas do Guardian, segue forte faz 100 anos!
sábado, 16 de agosto de 2008
Em Primeira Mão a Segunda Tentativa
Depois de apenas seis posts e de alguns meses sem notícias, voltamos a postar no Blog.
O semestre de aulas da Rever começou na semana passada com a primeira aula do Básico 1 de segundas-feiras. Essa semana foi a vez do Básico 2, do Básico 1 de quartas-feiras e do Módulo 3. Junto com mais três grupos de alunos particulares, esse semestre soma 8 grupos diferentes estudando e praticando fotografia aqui na Artur de Azevedo, 1307.
Estamos de casa nova, com a reforma terminada e a arrumação/decoração/finalização em andamento. Nosso novo estúdio tem 6x12m, nossa nova sala de aula tem uma estante enorme onde conseguimos acomodar todos os livros e revistas a disposição dos alunos e o novo terraço tem área aberta e coberta, para todos os gostos na hora dos intervalos.
No fim do mês, darei duas oficinas de flash no SESC Pompéia; uma de flash básico e outra de flash avançado. E em Setembro teremos o piloto de um workshop onde vamos praticar zen e fotografia, fotografia e zen, zen e criatividade e fotografia e por aí vamos ... fotografando, é claro!
Das leituras com os alunos essa semana, fica a indicação do site e do Blog do fotógrafo David Alan Harvey. O site: e o Blog, que pode ser acessado através do site chama-se Road Trips.
Do que saiu no jornal, a exposição de Pierre Verger que ocorreu na Galeria da Caixa Econômica Federal alguns meses atrás virou livro! "O Japão de Pierre Verger" sai pela Fundação Pierre Verger e pela Companhia Editora Nacional em edição bilingue Japonês/Português.
E falando em livros, o stand da Taschen na Bienal do Livro está com dezenas de promoções. A biblioteca da Rever ganhou "The Polaroid Book - Selections from The Polaroid Colections of Photography"; livro lindo e repleto de imagens feitas nos mais diferentes tipos de filmes e câmeras fabricados pela Polaroid. Também ganhou 11 livros da coleção de pintores da editora para complementar nossa seção de pintura.
Em primeira mão, a segunda tentativa e, se tudo der certo, contaremos com mais mãos para os posts do Blog!
beijos e abraços a todos!
andre
O semestre de aulas da Rever começou na semana passada com a primeira aula do Básico 1 de segundas-feiras. Essa semana foi a vez do Básico 2, do Básico 1 de quartas-feiras e do Módulo 3. Junto com mais três grupos de alunos particulares, esse semestre soma 8 grupos diferentes estudando e praticando fotografia aqui na Artur de Azevedo, 1307.
Estamos de casa nova, com a reforma terminada e a arrumação/decoração/finalização em andamento. Nosso novo estúdio tem 6x12m, nossa nova sala de aula tem uma estante enorme onde conseguimos acomodar todos os livros e revistas a disposição dos alunos e o novo terraço tem área aberta e coberta, para todos os gostos na hora dos intervalos.
No fim do mês, darei duas oficinas de flash no SESC Pompéia; uma de flash básico e outra de flash avançado. E em Setembro teremos o piloto de um workshop onde vamos praticar zen e fotografia, fotografia e zen, zen e criatividade e fotografia e por aí vamos ... fotografando, é claro!
Das leituras com os alunos essa semana, fica a indicação do site e do Blog do fotógrafo David Alan Harvey. O site:
Do que saiu no jornal, a exposição de Pierre Verger que ocorreu na Galeria da Caixa Econômica Federal alguns meses atrás virou livro! "O Japão de Pierre Verger" sai pela Fundação Pierre Verger e pela Companhia Editora Nacional em edição bilingue Japonês/Português.
E falando em livros, o stand da Taschen na Bienal do Livro está com dezenas de promoções. A biblioteca da Rever ganhou "The Polaroid Book - Selections from The Polaroid Colections of Photography"; livro lindo e repleto de imagens feitas nos mais diferentes tipos de filmes e câmeras fabricados pela Polaroid. Também ganhou 11 livros da coleção de pintores da editora para complementar nossa seção de pintura.
Em primeira mão, a segunda tentativa e, se tudo der certo, contaremos com mais mãos para os posts do Blog!
beijos e abraços a todos!
andre
terça-feira, 4 de setembro de 2007
Ansel Adams, Harry Callahan e liberdade
Nas primeiras aulas do Básico 1, vemos fotografias feitas por Ansel Adams, e um trecho de um DVD sobre ele. Algumas vezes, alguém que já conhece o trabalho de Adams vai direto ao ponto e diz: "Não gosto das fotos dele." Outras vezes alguém vai direto a outro ponto e diz: "Adoro fotografia de natureza. Adorei essas fotos!" Outras vezes ainda as fotografias de Ansel Adams não provocam gostos nem desgostos e somente passam pela aula de algum aluno da Rever. Uma dessas vezes uma aluna não conseguiu me dizer o que a incomodava no trabalho dele; se era o tema, se era a forma, se era o fato de que as fotos são fruto de uma relação contemplativa com o que acontece em frente à câmera. Na época em que ela me disse isso, respeitei a sua opinião como sempre faço, mas não soube mais o que dizer sobre como experimentar essas imagens de uma forma que fosse positiva para a sua própria fotografia. A resposta veio de presente faz alguns dias, enquanto eu estava lendo um livro sobre Harry Callahan, fotógrafo americano, nascido em 1912 em Detroit. Callahan experimentou muito, com muitos tipos de câmera, com muitas atitudes diferentes em meio a assuntos muito diferentes. Ao ver as imagens de Adams, Callahan foi mais além do tema e mais além da forma e mais além da motivação de Adams para fotografar. Abaixo segue a citação de uma entrevista na qual Callahan fala sobre Ansel, e sobre como o trabalho dele serviu de inspiração para o seu:
"[Adams] foi o primeiro fotógrafo sério que conheci. Antes disso eu nem sabia da existência de pessoas tão incríveis quanto Alfred Stieglitz. E quando eu vi o que Adams podia fazer com uma câmera, eu me senti livre para ir em frente e fotografar o que eu quisesse, da maneira que eu quisesse."
"[Adams] foi o primeiro fotógrafo sério que conheci. Antes disso eu nem sabia da existência de pessoas tão incríveis quanto Alfred Stieglitz. E quando eu vi o que Adams podia fazer com uma câmera, eu me senti livre para ir em frente e fotografar o que eu quisesse, da maneira que eu quisesse."
terça-feira, 21 de agosto de 2007
O Fotógrafo e a Opinião dos Outros
No fim da aula de segunda (20.08.07), depois de vermos o resultado de um exercício, eu digo a uma aluna que seria interessante ela explorar mais o tema das fotos que ela trouxe. Sem dúvida foi um dos resultados mais fortes que eu já vi para esse exercício. Valeria a pena prosseguir com esse trabalho. Já esperando uma reação positiva ou feliz da parte dela em relação ao meu comentário, ouvi quase sem acreditar: "Talvez eu faça, mas já desanimei com essas fotos." Como assim desanimou?! São lindas as fotos! E fortes! Como assim? Assim: a aluna mostra as fotos para amigas que não são muito capazes de dizer nada além de "Olha a outra! Tentando dar uma de artista!" Ela até que tenta defender o trabalho, perguntando se as amigas não entenderam nada, não viram nada ali. Viram, viram sim: "São os seus dedos, né?! São sim!" E não é que eram os dedos dela? Fora de foco, granulados, transformados em formas intensas, carregadas de sentimentos profundos. Tá na cara! Qualquer um pode ver! Quer dizer, qualquer um, não. As amigas dela não viram. Viram só os dedos ... e olhe lá! O resultado? "Não sei se vale a pena fazer mais depois daqueles comentários."
Lembrei de uma namorada Neo Zelandeza que tive faz muitos anos. Musicista, Victoria escreve para orquestras; música erudita contemporânea, trilhas sonoras para cinema. Ela entendia minhas fotos como poucas pessoas, e eu adorava mostrar minhas fotos para ela. Esperava os comentários e as críticas e as descobertas que ela ia me proporcionar, falando o que fosse das fotos que eu mostrasse. Mas apesar de ser meu público predileto, Victoria e eu discordávamos com veemência sobre esse assunto de público. Eu teimava em dizer que o artista tinha que ter em mente o público dele na hora de criar. Insistia como um bobo que nós artistas devíamos isso ao público. Ela se enfurecia e dizia que não! Absolutamente! "Eu crio minhas músicas para mim! Para mais ninguém! Se houver pessoas que gostem dela, ótimo! Se não, ótimo!" Eu não conseguia entender isso na época. Acho que depois de trabalhar com publicidade por um tempo, atendendo a clientes e mais clientes, eu devo ter cruzado os fios e embaralhado as idéias. Como é que eu vou expressar o que eu sinto, temendo a reação do outro, para agradar o outro? Victoria cria para si. Expressa o que sente, da maneira que sente, através da música. Ponto. Só isso. Mais nada.
Quer dizer, mais nada, não. Tem mais coisa, sim. E eu acabei dizendo mais uma coisa para a minha aluna. Não é o público que faz o artista. É o artista que faz o público. As pessoas que são tocadas pela obra tornam-se o público do artista. E se ela mostrou o trabalho dela para pessoas que só conseguem ver dedos, então compreenda isso. Esse público não vê além das aparências. Só isso. O público da sala de aula viu. Viu além da superfície do papel. Sentiu. Nem todo mundo vê. Nem todo mundo entende. Nem todo mundo gosta. É somente assim como é. Não é? Vamos ver como virão as próximas fotos!
Lembrei de uma namorada Neo Zelandeza que tive faz muitos anos. Musicista, Victoria escreve para orquestras; música erudita contemporânea, trilhas sonoras para cinema. Ela entendia minhas fotos como poucas pessoas, e eu adorava mostrar minhas fotos para ela. Esperava os comentários e as críticas e as descobertas que ela ia me proporcionar, falando o que fosse das fotos que eu mostrasse. Mas apesar de ser meu público predileto, Victoria e eu discordávamos com veemência sobre esse assunto de público. Eu teimava em dizer que o artista tinha que ter em mente o público dele na hora de criar. Insistia como um bobo que nós artistas devíamos isso ao público. Ela se enfurecia e dizia que não! Absolutamente! "Eu crio minhas músicas para mim! Para mais ninguém! Se houver pessoas que gostem dela, ótimo! Se não, ótimo!" Eu não conseguia entender isso na época. Acho que depois de trabalhar com publicidade por um tempo, atendendo a clientes e mais clientes, eu devo ter cruzado os fios e embaralhado as idéias. Como é que eu vou expressar o que eu sinto, temendo a reação do outro, para agradar o outro? Victoria cria para si. Expressa o que sente, da maneira que sente, através da música. Ponto. Só isso. Mais nada.
Quer dizer, mais nada, não. Tem mais coisa, sim. E eu acabei dizendo mais uma coisa para a minha aluna. Não é o público que faz o artista. É o artista que faz o público. As pessoas que são tocadas pela obra tornam-se o público do artista. E se ela mostrou o trabalho dela para pessoas que só conseguem ver dedos, então compreenda isso. Esse público não vê além das aparências. Só isso. O público da sala de aula viu. Viu além da superfície do papel. Sentiu. Nem todo mundo vê. Nem todo mundo entende. Nem todo mundo gosta. É somente assim como é. Não é? Vamos ver como virão as próximas fotos!
quinta-feira, 16 de agosto de 2007
Brassai, Nadar e Bresson (com ou sem flash)
Na aula de ontem para o pessoal de Flash do Sesc Pompéia, falamos do post abaixo, sobre Brassai, e sobre como ele precisava da colaboração de seus retratados para conseguir suas imagens. Por conta de seu equipamento, Brassai não conseguia instantâneos fotográficos com flash; tinha mesmo de posar as pessoas e construir com elas o retrato. Era preciso estabelecer e manter uma relação delicada de confiança e colaboração para que a foto funcionasse. Nesses casos, um dos motivos para haver mesmo essa colaboração era técnico: o uso do flash era demorado. Não se capturava a ação no seu desenrolar. Era preciso construir a imagem, mantê-la ali um momento e então registrá-la.
Vimos também retratos feitos por Nadar e conversamos sobre a sua relação com os retratados. Na época em que ele fotografava, o comum era posar a pessoa em cenários com colunas gregas, cortinas, mesas de canto e toda uma parafernália cenográfica que mais escondia a pessoa que mostrava. As poses eram todas iguais, as luzes eram todas iguais. Só mudava mesmo o rosto da pessoas em meio aquilo tudo. Nadar fazia diferente. Para ele bastava um fundo liso, luz, a pessoa e a relação que se estabelecia entre ele e o retratado. De novo vieram as mesmas idéias: confiança, colaboração. Mas ele falava com a pessoa? Se falava, falava o que? É preciso saber o que falar para "dirigir" a pessoa e conseguir a foto?
Imediatamente me lembrei de Bresson. Ao contrário de Brassai, ele não usava flash em seus retratos. Não dependia de nada que impedisse o instantâneo. Mesmo assim, construía em conjunto com o retratado a imagem. E como Nadar, buscava muito mais que apenas uma imagem fotográfica de uma pessoa. Dependia de confiança. Como no retrato que ele fez de Ezra Pound. Nesse dia, ficaram ambos calados durante cerca de uma hora, um diante do outro. Bresson escreve que de vez em quando piscavam, e era só isso. Estar de frente para o outro, sem a necessidade de nada que fosse supérfluo à relação que se estabeleceu ali, em silêncio. Bastou. A imagem é muito mais que um mero registro fotográfico.
Que conclusão tiramos disso? Será que o retrato de Ezra Pound é forte porque eles simplesmente não falaram nada? Falar com o retratado é quebrar esse vínculo de confiança? Mais do que isso, precisamos descobrir como estabelecer esse vínculo com cada pessoa fotografada. Agir da forma mais apropriada na circunstância em que estamos. Falar, não falar, o que falar. O mais importante seria respeitar a pessoa que está junto com você construindo a imagem, não? Sem prepotências, sem preponderâncias. Retratar em conjunto com o retratado. Sobre isso, Bresson escreveu:
Vimos também retratos feitos por Nadar e conversamos sobre a sua relação com os retratados. Na época em que ele fotografava, o comum era posar a pessoa em cenários com colunas gregas, cortinas, mesas de canto e toda uma parafernália cenográfica que mais escondia a pessoa que mostrava. As poses eram todas iguais, as luzes eram todas iguais. Só mudava mesmo o rosto da pessoas em meio aquilo tudo. Nadar fazia diferente. Para ele bastava um fundo liso, luz, a pessoa e a relação que se estabelecia entre ele e o retratado. De novo vieram as mesmas idéias: confiança, colaboração. Mas ele falava com a pessoa? Se falava, falava o que? É preciso saber o que falar para "dirigir" a pessoa e conseguir a foto?
Imediatamente me lembrei de Bresson. Ao contrário de Brassai, ele não usava flash em seus retratos. Não dependia de nada que impedisse o instantâneo. Mesmo assim, construía em conjunto com o retratado a imagem. E como Nadar, buscava muito mais que apenas uma imagem fotográfica de uma pessoa. Dependia de confiança. Como no retrato que ele fez de Ezra Pound. Nesse dia, ficaram ambos calados durante cerca de uma hora, um diante do outro. Bresson escreve que de vez em quando piscavam, e era só isso. Estar de frente para o outro, sem a necessidade de nada que fosse supérfluo à relação que se estabeleceu ali, em silêncio. Bastou. A imagem é muito mais que um mero registro fotográfico.
Que conclusão tiramos disso? Será que o retrato de Ezra Pound é forte porque eles simplesmente não falaram nada? Falar com o retratado é quebrar esse vínculo de confiança? Mais do que isso, precisamos descobrir como estabelecer esse vínculo com cada pessoa fotografada. Agir da forma mais apropriada na circunstância em que estamos. Falar, não falar, o que falar. O mais importante seria respeitar a pessoa que está junto com você construindo a imagem, não? Sem prepotências, sem preponderâncias. Retratar em conjunto com o retratado. Sobre isso, Bresson escreveu:
"A profissão depende tanto das relações que o fotógrafo estabelece com a pessoa que ele está fotografando, que um relacionamento falso, uma palavra ou atitude erradas, podem arruinar tudo. Quando o modelo está desconfortável (seja esse descoforto qual for), a personalidade dele foge para um lugar aonde a camera não alcança."
domingo, 12 de agosto de 2007
Brassai, Flash e o Instantâneo
Outro post para o pessoal da Oficina de Flash Básico do Sesc.
Durante a última aula, sexta-feira passada, vimos muitas imagens noturnas feitas por Brassai na Paris da década de 30; algumas feitas com exposições longas, outras feitas com flash. As fotos estão no livro Brassai, editado pela Taschen.
Quando não fazia longas exposições, Brassai usava lâmpadas de flash; mais ou menos as avós dos nossos flashes eletrônicos atuais. Nós estamos acostumados com flashes que disparam centenas de vezes antes de termos de pensar em uma lâmpada nova para eles. São flashes sincronizados com o obturador de nossas câmeras e seu disparo é rápido, instantâneo. Isso tudo sem contar com módulos automáticos, TTLs etc. Tudo muito rápido, tudo muito fácil.
O funcionamento dessas lâmpadas era bem diferente dos nossos flashes. Cada lâmpada era boa para um disparo. Uma espécie de curto circuito acionava a lâmpada, que estourava literalmente o filamento a fim de liberar a luz. Além disso ainda não havia sincronismo entre flash e câmera. O fotógrafo precisava abrir o obturador, para então acionar a lâmpada, esperar o pico de iluminação e só depois fechar o obturador. Não exatamente instantâneo, não exatamente rápido.
Por isso tudo, Brassai precisava contar com a colaboração das pessoas que fotografava. Quando estava em um bar e ia fotografar um casal, as pessoas precisavam parar durante um momento e manter a pose tanto quanto fosse possível, até que Brassai pudesse abrir o obturador, disparar o flash, aguardar a luz atingir o pico para depois fechar o obturador. Muitas de suas fotos parecem instantâneos casuais, feitos nos bares, boites, bordéis e teatros de Paris, mas são na verdade o resultado de uma colaboração entre o fotógrafo e os fotografados. Uma colaboração necessária para que pudessem fazer a imagem acontecer, apesar das limitações técnicas do equipamento.
Brassai certamente prezava muito essa relação que conseguia desenvolver com as pessoas que fotografava. Daí a citação abaixo:
Durante a última aula, sexta-feira passada, vimos muitas imagens noturnas feitas por Brassai na Paris da década de 30; algumas feitas com exposições longas, outras feitas com flash. As fotos estão no livro Brassai, editado pela Taschen.
Quando não fazia longas exposições, Brassai usava lâmpadas de flash; mais ou menos as avós dos nossos flashes eletrônicos atuais. Nós estamos acostumados com flashes que disparam centenas de vezes antes de termos de pensar em uma lâmpada nova para eles. São flashes sincronizados com o obturador de nossas câmeras e seu disparo é rápido, instantâneo. Isso tudo sem contar com módulos automáticos, TTLs etc. Tudo muito rápido, tudo muito fácil.
O funcionamento dessas lâmpadas era bem diferente dos nossos flashes. Cada lâmpada era boa para um disparo. Uma espécie de curto circuito acionava a lâmpada, que estourava literalmente o filamento a fim de liberar a luz. Além disso ainda não havia sincronismo entre flash e câmera. O fotógrafo precisava abrir o obturador, para então acionar a lâmpada, esperar o pico de iluminação e só depois fechar o obturador. Não exatamente instantâneo, não exatamente rápido.
Por isso tudo, Brassai precisava contar com a colaboração das pessoas que fotografava. Quando estava em um bar e ia fotografar um casal, as pessoas precisavam parar durante um momento e manter a pose tanto quanto fosse possível, até que Brassai pudesse abrir o obturador, disparar o flash, aguardar a luz atingir o pico para depois fechar o obturador. Muitas de suas fotos parecem instantâneos casuais, feitos nos bares, boites, bordéis e teatros de Paris, mas são na verdade o resultado de uma colaboração entre o fotógrafo e os fotografados. Uma colaboração necessária para que pudessem fazer a imagem acontecer, apesar das limitações técnicas do equipamento.
Brassai certamente prezava muito essa relação que conseguia desenvolver com as pessoas que fotografava. Daí a citação abaixo:
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